Vivemos a falta d´água que seca aos minutos nos subterrâneos e nem sequer alertamos nossos filhos....
Inicio este
blog não com informações a meu respeito, traçando meu perfil ou relacionando
livros e filmes que amo e pessoas queridas. Mas vou falar delas um dia. Quis
fazer esse blog para dizer o que vive apertado dentro de mim, e não creio que
isso aconteça apenas comigo. O otimismo é uma boa defesa contra aquilo que não
queremos ver.
Tenho
pensado muito no fato de eu ser jornalista e não ter espaço para me expressar e
isso faz muito mal. Se estamos todos conectados, nada mais libertador do que a comunicação,
pois de que valeria essa conexão mundial se fosse apenas para falar das festas
que frequentamos e das roupas e maquiagens da moda? Isso é bom também, gosto de
batom, blush e água Evian, mas nem só de lagosta vive o homem. Vivemos de
campanhas eleitorais, ou elas vivem de nós, de apelos publicitários de produtos
que não precisamos, nem sequer conhecemos, de bugigangas e celulares que falam,
andam e cantam para nos fazer dormir. Vivemos a falta d´água que seca aos
minutos nos subterrâneos e nem sequer alertamos nossos filhos.... e as crianças
continuam nascendo. Muitas, todos os minutos, somos sete bilhões, e a água
secando e o glútem vilão, o leite com formol, o ovo que faz mal, depois o ovo
que faz bem, a ciência sem recursos, a filosofia estagnada, o PIB negativo, a “recessão técnica”, o sertão
que não vira mar, e o dinheiro se esvaindo na cara da oficialidade enriquecendo canalhas de
cabelos grisalhos e minando leitos de hospitais; e crianças que não sabem ler e
professores que não sabem ensinar, e as gargantas degoladas em rede mundial e
as guerras em curso, outras se delineando, os tanques esquentando motores, os
jovens enviados para combater séculos de sectarismo; a serpentes chocando os
ovos; o fundamentalismo se instalando; o ebola se esbeirando para as frágeis
fronteiras, rótulos pregados nas costas de direitas, esquerdas, centros, ideias
que nem existem mais há muito tempo; cadeias lotadas, cabeças que viram bola de
futebol, mães vendendo filhos; mulheres assassinadas. E tantas certezas... como
se elas dissessem alguma coisa! O que
faremos nós, todos em rede, lendo as mesmas notícias e postando fotos da melhor
sobremesa que comemos no restaurante do último domingo? Há quantos anos luz
está o Iluminismo?
Estamos à
deriva! E não há salvador nenhum? Vamos nos aniquilar na penumbra de nossa
indiferença? Depende de quem convidamos para o jantar!