terça-feira, 16 de setembro de 2014

SOBRE A CAIXINHA DO NADA



A Caixinha do Nada é um livro de contos e crônicas, lançado em março de 2013 pela Editora Coruja.
É somente um modo de olhar para algumas situações, momentos de imaginação sobre o que poderia ter sido ou ainda poderia ser no que se refere à vida e à morte, encontros e desencontros nessa esfera que pensamos conhecer.

Estamos à deriva


 

  Vivemos a falta d´água que seca aos minutos nos subterrâneos e nem sequer alertamos nossos filhos....

 

 

Inicio este blog não com informações a meu respeito, traçando meu perfil ou relacionando livros e filmes que amo e pessoas queridas. Mas vou falar delas um dia. Quis fazer esse blog para dizer o que vive apertado dentro de mim, e não creio que isso aconteça apenas comigo. O otimismo é uma boa defesa contra aquilo que não queremos ver.

Tenho pensado muito no fato de eu ser jornalista e não ter espaço para me expressar e isso faz muito mal. Se estamos todos conectados, nada mais libertador do que a comunicação, pois de que valeria essa conexão mundial se fosse apenas para falar das festas que frequentamos e das roupas e maquiagens da moda? Isso é bom também, gosto de batom, blush e água Evian, mas nem só de lagosta vive o homem. Vivemos de campanhas eleitorais, ou elas vivem de nós, de apelos publicitários de produtos que não precisamos, nem sequer conhecemos, de bugigangas e celulares que falam, andam e cantam para nos fazer dormir. Vivemos a falta d´água que seca aos minutos nos subterrâneos e nem sequer alertamos nossos filhos.... e as crianças continuam nascendo. Muitas, todos os minutos, somos sete bilhões, e a água secando e o glútem vilão, o leite com formol, o ovo que faz mal, depois o ovo que faz bem, a ciência sem recursos, a filosofia estagnada, o  PIB negativo, a “recessão técnica”, o sertão que não vira mar, e o dinheiro se esvaindo  na cara da oficialidade enriquecendo canalhas de cabelos grisalhos e minando leitos de hospitais; e crianças que não sabem ler e professores que não sabem ensinar, e as gargantas degoladas em rede mundial e as guerras em curso, outras se delineando, os tanques esquentando motores, os jovens enviados para combater séculos de sectarismo; a serpentes chocando os ovos; o fundamentalismo se instalando; o ebola se esbeirando para as frágeis fronteiras, rótulos pregados nas costas de direitas, esquerdas, centros, ideias que nem existem mais há muito tempo; cadeias lotadas, cabeças que viram bola de futebol, mães vendendo filhos; mulheres assassinadas. E tantas certezas... como se elas dissessem alguma coisa!  O que faremos nós, todos em rede, lendo as mesmas notícias e postando fotos da melhor sobremesa que comemos no restaurante do último domingo? Há quantos anos luz está o Iluminismo?

Estamos à deriva! E não há salvador nenhum? Vamos nos aniquilar na penumbra de nossa indiferença? Depende de quem convidamos para o jantar!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A Caixinha do Nada

Esse livro é da Coleção Rascunho da Editora Coruja. Quem quiser conhecer, basta me pedir.